Parque Nacional de Abrolhos recebe um novo golpe

Duas audiências públicas que iram discutir a ampliação do Parque Nacional Marinho de Abrolhos foram adiadas, e ficaram sem novas datas definidas. A decisão foi tomada após tumultos ocorridos durante a consulta Mais »

Ondas do mar produzem energia elétrica no Ceará

É recorrente apontar a geração e o uso da energia elétrica como fator que aumenta o aquecimento terrestre, por isso a busca por diferentes tecnologias para produção de energia com baixo impacto Mais »

Tuiuiú: a ave de muitos nomes

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Qual é a sensação de se orbitar o planeta Terra?

No dia 20 de janeiro de 2011 a Rússia colocou em órbita o primeiro de uma série de satélites denominados Elektro-L. Capaz de fornecer dados para análises e previsões meteorológicas, o Elektro–L Mais »

Gastronomia Responsável

Autor: Juliano e GdeanCategoria: EntradaPrincípios: Ingredientes: 1 cebola média picada (orgânica) 1 berinjela média picada em cubinhos com casca (orgânica) 1 abobrinha média picada em cubinhos com casca (orgânica) 2 colheres (sopa) Mais »

Parque Nacional de Abrolhos recebe um novo golpe

Duas audiências públicas que iram discutir a ampliação do Parque Nacional Marinho de Abrolhos foram adiadas, e ficaram sem novas datas definidas. A decisão foi tomada após tumultos ocorridos durante a consulta realizada nessa quinta-feira, 17 de maio, na cidade baiana de Caravelas, a segunda da série de quatro que estavam agendadas.

A primeira audiência, realizada na quarta-feira em Porto Seguro (BA), já havia começado com uma notícia frustrante. O coordenador regional do ICMBio, Leonardo Brasil, revelou que as 3 novas Unidades de Conservação previstas não seriam criadas até a Rio +20, como era a expectativa, porque o Ministério do Meio Ambiente considerava necessário mais tempo e mais discussões, antes que os decretos fossem assinados.

O governo capixaba, preocupado com as restrições às atividades petrolífera e pesqueira, já havia pedido a realização de outras quatro consultas no Espírito Santo, além das que estavam previstas para ocorrer esta semana.

“Essa é mais uma proposta que não deverá sair do papel por enquanto, pela postura do próprio governo que vem demonstrando um retrocesso nunca visto na área ambiental”, afirmou a presidente do Instituto Baleia Jubarte, Márcia Engel.

De acordo com informações da Conservação Internacional e do Instituto Baleia Jubarte, que acompanhavam as reuniões, um grupo de dez pessoas, que se diziam representar a Federação das Colônias de Pescadores do Espírito Santo, entrou no local onde a audiência era realizada e instigou os pescadores com informações falsas. A apresentação das propostas, que já havia sido iniciada, teve de ser cancelada por medida de segurança.

Ainda segundo as duas organizações, funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foram intimidados pelo grupo. As audiências adiadas estavam marcadas para este fim de semana, nas cidades de São Mateus e Linhares, no Espírito Santo.

“Os pescadores de Caravelas, que estavam organizados para dialogar e entender a proposta para então se posicionarem, não tiveram como aproveitar a oportunidade para discutir sobre uma realidade que diz respeito a eles”, lamentou Márcia Engel.

Para Guilherme Dutra, Diretor do Programa Marinho da Conservação Internacional, os pescadores foram insuflados por motivações políticas. “As pessoas não tiveram a oportunidade de ouvir nem de registrar suas posições e seus pleitos de forma democrática”, destacou.

A proposta do ICMBio prevê um aumento de dez vezes no tamanho do Parque Nacional de Abrolhos, que passaria de 88 mil hectares para 890 mil, e a criação de três unidades de conservação: o Refúgio de Vida Silvestre para baleias jubarte, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável da Foz do Rio Doce, no litoral norte do Espírito Santo e uma Área de Proteção Ambiental (APA) no entorno do Parque Nacional.

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Parque
Nacional de Abrolhos recebe um novo golp

Audincias
pblicas para ampliao do Parque Nacional Marinho e criao de
outras trs unidades de conservao so adiadas por tempo
indeterminadParque Nacional de Abrolhos recebe um novo golpe
Audincias pblicas para ampliao do Parque Nacional Marinho e criao de outras trs unidades de conservao so adiadas por tempo indeterminado.
Duas audincias pblicas que iram discutir a ampliao do Parque Nacional Marinho de Abrolhos foram adiadas, ainda sem data definida. A deciso foi tomada aps tumultos ocorridos durante a consulta realizada nessa quinta-feira, 17 de maio, na cidade baiana de Caravelas, a segunda da srie de quatro que estavam agendadas.
A primeira audincia, realizada na quarta-feira em Porto Seguro (BA), j havia comeado com uma notcia frustrante. O coordenador regional do ICMBio, Leonardo Brasil, revelou que Unidades de Conservao no seriam criadas na Rio +20, como era a expectativa, porque o Ministrio do Meio Ambiente considerava necessrio mais tempo e mais discusses, antes que os decretos fossem assinados.
O governo capixaba, preocupado com as restries s atividades petrolfera e pesqueira, j havia pedido a realizao de outras quatro consultas no Esprito Santo, alm das que estavam previstas para ocorrer esta semana.
Essa mais uma proposta que no dever sair do papel por enquanto, pela postura do prprio governo que vem demonstrando um retrocesso nunca visto na rea ambiental, afirmou a presidente do Instituto Baleia Jubarte, Mrcia Engel.
De acordo com informaes da Conservao Internacional e do Instituto Baleia Jubarte, que acompanhavam as reunies, um grupo de dez pessoas, que se diziam representar Federao das Colnias de Pescadores do Esprito Santo, entrou no local onde a audincia era realizada e instigou os pescadores com informaes falsas. A apresentao das propostas, que j havia sido iniciada, teve de ser cancelada por medida de segurana.
Ainda segundo as duas organizaes, funcionrios do Instituto Chico Mendes de Conservao da Biodiversidade (ICMBio) foram intimidados pelo grupo. As audincias adiadas estavam marcadas para este fim de semana, nas cidades de So Mateus e Linhares, no Esprito Santo.
Os pescadores de Caravelas, que estavam organizados para dialogar e entender a proposta para ento se posicionarem, no tiveram como aproveitar a oportunidade para discutir sobre uma realidade que diz respeito a eles, lamentou Mrcia Engel.
Para Guilherme Dutra, Diretor do Programa Marinho da Conservao Internacional, os pescadores foram insuflados por motivaes polticas. As pessoas no tiveram a oportunidade de ouvir nem de registrar suas posies e seus pleitos de forma democrtica, destacou.
A proposta do ICMBio prev um aumento de dez vezes no tamanho do Parque Nacional de Abrolhos, que passaria de 88 mil hectares para 890 mil, e a criao de trs unidades de conservao: o Refgio de Vida Silvestre para baleias jubarte, a Reserva de Desenvolvimento Sustentvel da Foz do Rio Doce, no litoral norte do Esprito Santo e uma rea de Proteo Ambiental (APA) no entorno do Parque Nacional.]]>



Fonte: Eco
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Ondas do mar produzem energia elétrica no Ceará

É recorrente apontar a geração e o uso da energia elétrica como fator que aumenta o aquecimento terrestre, por isso a busca por diferentes tecnologias para produção de energia com baixo impacto ambiental motiva pesquisadores de diferentes áreas. Está perto de ser apresentado ao grande público, um projeto inovador no Porto de Pecém, em São Gonçalo do Amarante, Ceará, que ganhará destaque: a utilização das ondas do mar para a geração de energia elétrica.

O projeto é liderado pelo professor Segen Estefen, da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um dos maiores especialistas do planeta na área. Segen Estefen coordena o capítulo 6, sobre energia dos oceanos, do relatório especial sobre energia renovável do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU.

A transformação da energia das ondas em energia elétrica utilizará flutuadores na base de braços mecânicos, instalados no quebra-mar do Porto de Pecém. O movimento ondulatório fará a estrutura do braço de subir e descer. Essa força será utilizada como uma bomba para impulsionar água tratada por tubos. O processo cria uma grande pressão em uma câmara hiperbárica, semelhante a de uma queda d’água de 400 metros. Em resumo: o movimento das ondas bombeia a tubulação com água, que ganha força o suficiente para movimentar uma turbina ligada a um gerador, que produz eletricidade.

O projeto começou em 2009, com financiamento de R$ 12,5 milhões da Trectebel Energia e base logística oferecida pelo governo do Ceará. Agora está em sua fase final, com os parafusos do sistema ganhando o último aperto. Serão dois braços mecânicos, que vão gerar 100 kW. Pesquisadores, investidor e governo evitam falar a respeito para não tirar o brilha do anúncio final.

De onde vem essa energia, há muito mais a se transformar e o projeto já é concebido para comportar dezenas de módulos iguais aos dois que serão usados inicialmente. O professor Segen Estefen conta que se todo o potencial energético dos oceanos, estimado em 10 mil GW, fosse aproveitado, seria possível atender a demanda de energia de todo o planeta. “Se investíssemos em usinas de ondas, nos próximos dez anos, já poderíamos contar com 15 GW gerados por essa tecnologia no Brasil”, calcula Estefen. Hoje, o país conta com um potencial em torno de 100 GW.

Nos cálculos do coordenador do projeto, o potencial energético das ondas no Brasil é da ordem de 87 GW. Projeções do Coppe indicam que é possível converter cerca de 20% desse potencial em energia elétrica, o mesmo que 17% da capacidade instalada no país.

A ideia é inovadora, mesmo dentro do que se pesquisa pelo mundo afora. Os franceses já olham para as águas do mar pensando em energia desde 1966, quando construíram, no estuário de La Rance, uma usina de 240 MW pelo deslocamento das marés. A experiência até hoje é citada quando se procura um exemplo com efeitos negativos para o meio ambiente.

Os europeus persistem. O Reino Unido procura se destacar no uso da força das marés para transformar sua energia em eletricidade. Em Heidenheim, Alemanha, a empresa Voith Hydro aperfeiçoou o modelo e desenvolve pás que se assemelham a hélices e tiram proveito dos dois movimentos das marés, de alta e de baixa. Em Portugal, uma parceria com finlandeses vai instalar três módulos a 30 metros de profundidade no mar de Peniche, na praia da Almagreira. Índia, China e Japão também têm seus projetos. Ninguém nada de braçadas, até então.



Fonte: Eco
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Tuiuiú: a ave de muitos nomes

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Fonte: Eco
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Qual é a sensação de se orbitar o planeta Terra?

No dia 20 de janeiro de 2011 a Rússia colocou em órbita o primeiro de uma série de satélites denominados Elektro-L. Capaz de fornecer dados para análises e previsões meteorológicas, o Elektro–L 1 deve permanecer operacional durante 10 anos em uma órbita geoestacionária, posicionado 40 mil quilômetros acima do Oceano Índico. A cada 30 minutos o satélite cria uma imagem da Terra, atualmente as maiores disponíveis onde nosso planeta aparece em sua totalidade. A câmera tira as fotos em comprimentos de onda visível e infravermelho. Como a maioria das plantas refletem infravermelhos, a vegetação aparece nas fotos em tons de laranja ou marrom.

Em abril de 2011 James Drake, um professor de ciências norte-americano, solicitou à Agência Espacial Federal Russa acesso ao acervo de imagens produzidas pelo satélite, e alguns meses depois recebeu um arquivo de 100 gigabytes contendo mais de 350 imagens. A partir dessas imagens Drake criou vários filmes onde podemos experimentar a sensação de estarmos em órbita da Terra.

Além dos vídeos feitos com as imagens do Elektro–L 1, Drake também criou vários vídeos usando imagens feitas a partir da Estação Espacial Internacional. Veja abaixo alguns dos vídeos de Drake.

Via PCMag



Fonte: Eco
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Gastronomia Responsável


Autor: Juliano e Gdean
Categoria: Entrada
Princípios:


Ingredientes: 1 cebola média picada (orgânica)
1 berinjela média picada em cubinhos com casca (orgânica)
1 abobrinha média picada em cubinhos com casca (orgânica)
2 colheres (sopa) de azeite
2 colheres (sopa) de açúcar mascavo (orgânico)
3 colheres (sopa) de molho de soja
1 limão rosa (caseiro)

Modo de preparo:  Refogue a berinjela, a abobrinha e a cebola no azeite até a berinjela murchar. Adicione o açúcar mascavo e mexa até incorporar. Adicione o molho de soja. Após retirar do fogo, adicione o suco do limão. Sirva quente.



Fonte: Eco
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((o))eco fica entre os primeiros no prêmio Greenbest 2012



O site ((o))eco ficou entre os primeiros colocados no Prêmio Greenbest 2012. O concurso premia as melhores iniciativas de sustentabilidade do país em 19 categorias, que vão do setor de energia à moda.

O Grand Prix – maior prêmio do concurso – foi conquistado pelo Movimento Floresta Faz a Diferença e pela ong SOS Mata Atlântica. O primeiro ganhou o troféu Grand Prix pela Academia Greenbest, com corpo técnico formado por especialistas do setor, e cujos votos foram auditados pela Ernst Young Terco. A ong SOS Mata Atlântica ganhou o troféu Grand Prix do Júri Popular, na categoria ONG, por ter tido a maior quantidade de votos obtidos através dos internautas entre todos os candidatos das 19 categorias.

((o))eco ficou no Top 3, tanto na premiação do Júri Popular quanto a da Academia do prêmio, que é a parte técnica do júri. O programa “Cidades e Soluções”, da Globonews, tirou o primeiro lugar. No Júri Popular, o site Planeta Sustentável, da Editora Abril, ficou com a grande prêmio.

No Top 3 do Júri Popular, ficamos uma posição abaixo da famosa revista de capa amarela, em versão brasileira, a  National Geographic Brasil.

Na categoria jornalista e blogueiro, nosso coordenador de projetos e repórter de Geonoticias, Gustavo Faleiros, também ficou em segundo lugar do Top 3.

Estar entre os primeiros colocados no ranking do Greenbest é um reconhecimento pelo do nosso trabalho e aumenta nossa responsabilidade como veículo que tem como missão principal difundir informação ambiental com qualidade e ética. Nessa linha, a participação do leitor de ((o))eco sempre foi fundamental. Agradecemos a vocês pelos votos e a confiança.



Fonte: Eco
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Panamazônia se une contra mineração ilegal

Diamantes na Guiana, ouro no Peru, Brasil, Bolívia, Colômbia, Venezuela. Bauxita – roca sedimentária que contém alumínio – em outros países da panamazônia. A exploração de minérios é uma praga que se estende há algumas décadas sobre o ecossistema amazônico e tem avançado com a proteção da impunidade, ao ponto de lugares como Huaypetue, no sudeste peruano, ter se convertido de bosque tropical a um deserto exausto e sombrio.

Durante anos, cada governo tem feito o que pode e, às vezes, suspeitosamente, muito pouco. Em Lima, durante um encontro que aconteceu em março passado, ministros do meio ambiente dos oito países membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) declararam ao final de um anexo que desenvolveriam uma “agenda estratégica” para combater a mineração ilegal.

Guiana Francesa sofre com mineração ilegal de ouro
Estudo avalia mineração de ouro na Amazônia

Após, criou-se um Grupo de Trabalho Especializado e, mais recentemente, foi feita uma solicitação junto à própria OTCA, através do Ministério do Ambiente do Peru, para uma breve reunião de seguimento à declaração. A determinação parece real, embora ainda seja necessário lutar contra a ínfima presença do Estado nas zonas amazônicas, corrupção e algo mais que pode ser difícil de vencer: o preço exorbitante do ouro.

Manuel Pulgar Vidal, ministro do Ambiente peruano disse, como parte desta iniciativa, que não se trata só de combater a mineração ilegal, mas também de “combater a pobreza”. No escuro poço da mineração ilegal, está o velho problema da falta de oportunidades. Soma-se a isso outras atividades ilícitas, como o tráfico de pessoas e prostituição, bem visíveis em zonas como Huaypetue. À desgraça humana também se incluem destroços à biodiversidade, que chegam a dimensões que espantam. Não é a toa que o livro GEO Amazônia, da própria OTCA, tenha a mineração como “uma importante ameaça para os ecossistemas aquáticos e terrestres da bacia amazônica”.

Ernesto Ráez, assessor de Pulgar Vidal, lembrou com precisão trágica: “a mineração aluvial (que se realiza nos rios) transforma os espelhos de água em montanhas de cascalho”. Trata-se de algo irremediável, que afeta o ciclo d’água, a renovação da floresta, a reprodução de peixes, o habitat de mamíferos, sem falar no mercúrio que vai parar nos rios. De acordo com Ráez, no território peruano a mineração ilegal seria responsável pelo desmatamento de 30 mil hectares. No Suriname, a WWF calculou uma quantidade similar de florestas degradadas pela atividade, além de 2.200 quilômetros de rios comprometidos. Enquanto a Amazônia for “de ninguém”, a tentação do ouro se manterá. Neste contexto a praga já é transnacional e o propósito dos ministros ambientais parece plausível – sempre e quando seja traduzido em ações reais e que não retrocedam.

De 3 a 7 de maio, no Equador, a Comunidade Andina realizou uma reunião sobre mineração ilegal, com relação a esta iniciativa. Curioso que isto aconteça justo após uma declaração do presidente Rafael Correa. De acordo com a agência AFP, o ex-presidente García, do Peru, teria lhe dito – referindo-se às FARC e à Amazônia – “eu nem me preocupo, isso é tão grande que ninguém sabe o que tem lá”.

Se as FARC podem passar por baixo do tapete, o mesmo pode acontecer com a mineração ilegal e demais ameaças sofridas pela região, pois como eu já disse em outra coluna, a Amazônia é “floresta ausente” no discurso político. No entanto, se os ministros do meio ambiente amazônicos conseguirem reverter não só o avanço da mineração ilegal, mas também a estreita visão de nossos líderes, terão dado início a uma grande revolução nos ecossistemas e nas mentalidades.


Ramiro Escobar Jornalista peruano especializado em temas ambientais e internacionais. Escreve no Peru para os jornais La República, a revista PODER e a agência Notícias Aliadas. Na Espanha, suas reportagens saem no jornal El País e na revista GEO.



Fonte: Eco
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Acompanhe ao vivo a apresentação do Censo da Biodiversidade

O Museu Paraense Emílio Goeldi está lançando hoje o Projeto Censo da Biodiversidade durante evento que discute a biodiversidade amazônica no contexto da Rio +20. O objetivo é trazer os temas ao debate público, relacionando a necessidade de conhecimento sobre a diversidade biológica da região com o desenvolvimento tecnológico, de forma a garantir a sustentabilidade da região. Acompanhe ao vivo a apresentação do projeto, através desse link do Livestream do Museu. A apresentação começou às 10hs



Fonte: Eco
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Humanidade precisará de 'três planetas' em 2050

Se as demandas de recursos naturais utilizados na Terra continuarem a aumentar como nos últimos 20 anos, precisaremos de quase três planetas em 2050. É o que diz o relatório Living Planet, que reúne dados científicos sobre o meio ambiente e é produzido a cada dois anos pelo WWF. Divulgado nesta terça-feira, a pouco mais de um mês da Rio+20, o documento traz um segmento especial que compara a situação do planeta no caminho entre as duas conferências históricas realizadas no Brasil, a Rio 92 e a que terá início a partir do dia 13 de junho.

Segundo o relatório, as condições do planeta pioraram apesar dos esforços da Rio 92. O mundo hoje emite 40% mais gases poluentes, teve uma perda de biodiversidade de 12%, as florestas diminuíram 3 milhões de metros quadrados, o número de pessoas vivendo em cidades, que consomem 75% da energia do planeta, aumentou 45% e a produção de comida, que consome a maior parte da água doce do planeta, também aumentou 45%.

No entanto, alguns sinais são positivos, como o aumento na eficiência do uso dos recursos naturais e a queda no desmatamento de florestas. A organização acredita que até 2050 seja possível reverter a situação de degradação ambiental. “Nós temos a capacidade de criar um futuro próspero com comida, água e energia para os 9 ou 10 bilhões de pessoas que vão habitar o planeta em 2050, mas apenas se todos nós — governos, comunidades, cidadãos — nos prepararmos para esse desafio”, afirma Jim Leape, diretor geral da WWF. De acordo com Leape, a Rio+20 representa o momento oportuno para que a busca práticas que enfrentem o problema seja renovada.

“Vinte anos após a histórica Cúpula da Terra, a Rio+20 pode e deve ser o momento para os governos entrarem em acordo sobre um novo caminho para a sustentabilidade. É uma oportunidade única para haver uma congregação de comprometimento, em que países de diferentes regiões ,como a bacia do Congo e o Ártico, se unam para o melhor uso de recursos que eles compartilham; em que empresas que competem no mercado unam forças para incorporar a sustentabilidade em suas cadeias de produção e para que passem a fornecer produtos que utilizem menos recursos; em que os fundos soberanos e de pensões passem a investir mais em empregos verdes“, diz. Conheça os destaques do relatório:

MUDANÇA CLIMÁTICA
Criada durante a Rio 92, a Convenção da ONU sobre Mudança Climática (UNFCCC, sigla em inglês) conseguiu que os países assinassem o Protocolo de Kyoto, acordo em que se comprometiam a minimizar as emissões de gases causadores do aquecimento global. Sem a adesão dos Estados Unidos, o tratado caiu em desuso, principalmente após o Canadá anunciar que pularia fora em 2011. Segundo o relatório, apesar das manchetes geradas pelo fator que se tornou a principal questão ambiental conjunta, as emissões de carbono continuaram a aumentar: 40%, de 1992 a 2011, de acordo com o programa ambiental da ONU (Pnud).

Como consequência, o nível de carbono a atmosfera aumentou 9% desde a Rio 92 e as camadas de gelo no Ártico durante o verão diminuíram 35%, atingindo picos em 2007 e 2011. O relatório cita os esforços voluntários de países como o Reino Unido, que aprovou uma lei em 2008 que requer a redução de 80% nas emissões de gases no país até 2050. Mas afirma que apesar dos esforços, os países até agora falharam em conseguir um acordo global para metas de redução. 

BIODIVERSIDADE
Criada no Rio, a Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica conseguiu aprovar em 2010 o Protocolo de Nagoya, que regulamenta o uso dos recursos genéticos. No entanto, os esforços para a preservação da biodiversidade não impediram perdas de 12% da diversidade global e 30% da diversidade nos trópicos, segundo o índice do Living Planet.

FLORESTAS
Considerada uma das falhas da Rio 92, a não produção de um tratado para combater o desmatamento de florestas fez com que três milhões de metros quadrados de vegetação fossem perdidos. Segundo o relatório, o montante equivale ao tamanho da Índia. No entanto, o Living Planet afirma que o desmatamento tem caído na última década e aponta para esforços iniciativas como as do Brasil, que apresentou uma queda de 70% no desmatamento da Amazônia desde 2004. Além disso, as áreas e parques protegidos aumentaram de 9% a 13% desde a Rio 92.

IMPACTO HUMANO
O impacto humano sobre o meio ambiente é medido em três componentes: tamanho da população, consumo e eficiência de recursos utilizados. No século passado, o principal impacto foi causado pelo aumento populacional, que quadruplicou durante os 1900. Desde a Rio 92, a população do planeta cresceu 26%, atingindo 7 bilhões em 2011. Ainda assim, há uma perspectiva de diminuição na tendência. Nos últimos 20 anos, a taxa de crescimento caiu de 1.65% para 1.2%. Possivelmente, a população pare de crescer até o final deste século. No entanto, o aumento no consumo tem causado as maiores preocupações em relação ao impacto humano no ambiente. A produção de comida aumentou 45% desde a Rio 92 e a extração de materiais 41%, índice bem acima do crescimento populacional. O mundo chega na Rio+20 com o dobro de produção de plástico e com um crescimento de 230% na produção de cimento. 

AGRICULTURA
O planeta ainda consegue alimentar os 7 bilhões de habitantes porque houve um acréscimo de 45% na produção de alimentos em 20 anos comparado a um crescimento de 26% da população. No entanto, o relatório afirma que o impacto ecológico é insustentável. Um dos fatores é o aumento no consumo de carne, que passou dos 34 quilos por ano por cidadão, em 1992, a 43 quilos ao ano, em 2011. Os rebanhos são responsáveis por 18% das emissões de gases causadores do aquecimento global. Outro fator é que o aumento da produtividade global se deu pelo uso de agroquímicos, que necessitam de muita energia para serem produzidos. A estimativa é que se consome entre sete e dez calorias para produzir uma caloria de alimento.

ÁGUA
A área utilizada para irrigações no mundo cresceu 21% nos últimos 20 anos. Agora a irrigação consome 70% das águas extraídas de rios e reservas subterrâneas. Se a chuva for levada em consideração, a produção de alimentos responde a 92% do consumo de água humano. Com muitos rios secando, 2,7 bilhões de pessoas sofrem com graves períodos de seca pelo menos em um mês ao ano. O relatório lembra que a problemática da água, uma crise global que vem emergindo rapidamente, mal foi discutida durante a Rio 92.

PESCA
Apesar de os oceanos estarem sofrendo com a escassez de peixes devido à redução dos estoques causados pela pesca em excesso, as fontes selvagens estão sendo substituídas por criações. A produção de peixes sustentáveis, afirma o relatório, cresceu 260% desde a Rio 92.



Fonte: Ambiente
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Quanto lixo você deixa de produzir ao usar uma garrafa reutilizável? Descubra com a 999Bottles

Quer saber a quantidade de lixo que você deixa de gerar ao optar por beber água em uma garrafa reutilizável, ao invés de uma de plástico descartável? Ou, ainda, descobrir a quantidade de recursos naturais que você ajuda a poupar ao adotar essa postura? Idealizada pelo designer norte-americano Ferd van Engelen, a 999Bottles tem as respostas para todas essas perguntas.

Feita com aço inoxidável, a garrafa reutilizável possui três anéis numéricos que permitem que o usuário contabilize quantas vezes ao dia ele enche de água sua 999Bottles – e, consequentemente, a quantidade de garrafas plásticas que deixa de consumir. O nome do objeto não é à toa: por possuir três anéis numéricos, a garrafa só permite contar até 999. Depois, a contagem volta para o zero.

Depois, para descobrir os ganhos ambientais que o número de garrafas plásticas economizadas representa, basta baixar o aplicativo para iPhone 999Bottles. O app informa a quantidade de petróleo que o usuário da garrafa reutilizável ajudou a economizar e, também, a quantidade de lixo poupado. O aplicativo ainda faz comparações. Por exemplo: encher a 999Bottle 1.603 vezes significa deixar de produzir uma quantidade de resíduos que, empilhados, teriam uma altura equivalente à da Torre Eiffel.

Por enquanto, a 999Bottles ainda não está disponível no mercado. Para que a nova garrafa reutilizável seja vendida ao consumidor, o designer Ferd van Engelen precisa de capital, que ele quer conseguir por meio de crowdfundingou financiamento coletivo. O produto está anunciado no Kickstarter e van Engelen tem até 22/06 para angariar $99,999.

Assista, abaixo, ao vídeo do designer explicando um pouco mais sobre a 999Bottle.

Foto: Divulgação/999Bottles

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Fonte: Planeta Sustentável
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Volney Zanardi é o novo presidente do IBAMA

Volney Zanardi é o novo presidente do Ibama. A nomeação foi publicada hoje no Diário Oficial da União. O novo presidente, que deixa o cargo de diretor do Departamento de Gestão Estratégica da secretaria executiva do Ministério do Meio Ambiente, substitui Curt Trennepohl, que pediu exoneração para cuidar de problemas na saúde. O ex-presidente estava licenciado há mais um mês da presidência do Instituto.

Zanardi é funcionário de carreira da Agência Nacional das Águas (ANA) e atuou no Ibama como coordenador-geral de Licenciamento Ambiental no ano de 2003. Depois disso, assumiu o de direção do Departamento de Articulação Institucional no Ministério do Meio Ambiente (MMA). No ministério, foi também diretor do Departamento de Articulação Institucional e de Economia e Meio Ambiente.
 
Antes de assumir a presidência do Ibama, Zanardi, que também é afiliado ao PT, ocupava o cargo de diretor do Departamento de Gestão Estratégica da Secretaria Executiva do MMA e de Secretário-Executivo substituto, trabalhando diretamente com a ministra Izabella Teixeira.
 
Formado em engenharia química, Volney Zanardi é mestre em Ecologia e doutor em Ciências Ambientais. Sua nomeação para o cargo saiu nesta quinta-feira (17) no Diário Oficial da União.
 



Fonte: Eco
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Porque faz sentido multar motoristas e não ciclistas


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Nesta semana, motoristas imprudentes que colocam em risco a vida de ciclistas começaram a ser multados em São Paulo. Providências neste sentido haviam sido prometidas pelo secretário municipal de Transportes e presidente da Companhia de Engenharia de Trânsito (CET) Marcelo Branco em abril. Parabéns para a Prefeitura pela iniciativa.

Os agentes da CET foram orientados a ter especial atenção com três artigos do Código Brasileiro de Trânsito (169, 197 e 220, conforme tabela abaixo), todos relativos a cuidados que devem obrigatoriamente ser adotados por quem controla um veículo que pode matar. E a CET prometeu também ampliar a fiscalização em relação ao estacionamento de carros em faixas de pedestre, ciclovias e ciclofaixas (artigo 181, com multa de R$ 127,69 reais e cinco pontos na carteira) e ao trânsito em ciclofaixas e ciclovias exclusivas para bicicletas (artigo 193, com multa de R$ 574,62 e sete pontos).  Por enquanto, nada da aplicação do artigo 201, que determina que o motorista respeite a distância mínima de 1,5 metro ao ultrapassar ciclistas – ou aguarde até ter chance de passar com segurança, diminuindo a velocidade.

Artigo
O que diz?
Multa
Pontos na carteira
169
 ”Dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança: Infração – leve; Penalidade – multa.”
 

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 3
197
 ”Deixar de deslocar, com antecedência, o veículo para a faixa mais à esquerda ou mais à direita, dentro da respectiva mão de direção, quando for manobrar para um desses lados: Infração – média; Penalidade – multa.”
 

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R$ 85,13
 4
220
 ”Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito: (…) XIII – ao ultrapassar ciclista: Infração – grave; Penalidade – multa;”
 

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R$ 127,69
 5

Assim como quando a CET organizou o Programa de Proteção aos Pedestres, que acabou desvirtuado e passou a ser mais uma campanha de adestramento de pessoas do que de respeito à vida, a medida têm sido alvo de críticas. Os mesmos motoristas que vibraram de indignação antes, agora reclamam do absurdo de ter que tomar cuidado em relação às bicicletas. E insistem que ciclistas infratores também devem ser multados.

Contexto
É lógico que, como veículos, bicicletas também devem seguir regras. E o Código Brasileiro de Trânsito é bem completo e inclui orientações claras sobre onde o ciclista deve e onde não deve trafegar. É proibido passar semáforos vermelhos, andar na contramão e trafegar pela calçada, por exemplo. São regras claras, que fazem sentido e aumentam a segurança de todos.

Mas será que hoje, da maneira como o trânsito é organizado em São Paulo, faz sentido pensar em multar ciclistas? O ciclista infrator está errado, mas nem de longe coloca em risco a vida de outras pessoas na mesma proporção em que motoristas imprudentes o fazem. Exigir a aplicação estrita e cega da lei neste caso é defender que, em uma avenida como a Rebouças, com trânsito rápido e sempre cheia de veículos grandes, o ciclista deve se misturar ao fluxo – avenida onde existem, registre-se, calçadas largas e espaço suficiente para a criação de um espaço compartilhado entre bicicletas e pedestres.

Em alguns casos, como bem ressaltou William Cruz em artigo no blog vadebike.org, “respeitar as leis de trânsito ainda é perigoso para o ciclista”. Em outros, vale considerar o bom senso como destaca João Lacerda, da Transporte Ativo, que lembrou em textos recentes que em Paris os ciclistas foram autorizados a passar o sinal vermelho e que em muitas cidades da Europa o tráfego de bicicletas na contramão é autorizado. O vídeo abaixo foi pinçado por ele (em inglês).

Texto dedicado ao ciclista José Vicente dos Santos, atropelado e morto por um ônibus em 8 de maio no Ipiranga; ao menino de 7 anos atropelado e morto por um ônibus no Jardim Celeste em 14 de maio; e aos amigos Silvia Oliveira e Daniel Labeda, que também foram atropelados enquanto pedalavam nos dias 10 e 11 de maio, respectivamente, mas conseguiram escapar sem lesões graves. Solidariedade a família de todas as vítimas do descaso em relação à vida no trânsito.



Fonte: Eco
URL: http://www.oeco.com.br/outrasvias/26009-porque-faz-sentido-multar-motoristas-e-nao-ciclistas http://www.oeco.com.br/component/ninjarsssyndicator/?feed_id=1&format=raw the feed url Eco the feed name http://www.oeco.com.br/outrasvias/26009-porque-faz-sentido-multar-motoristas-e-nao-ciclistas the source URL of the post admin the author you assign to the feed Sustentabilidade the category you assign to the feed

Frases do Meio Ambiente

Salvar a civilização não é um esporte para espectadores. Cada um de nós possui um papel de liderança a representar. - Lester R. Brown, ambientalista e fundador do World Watch Institute



Fonte: Eco
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Volney Zanardi é o nome presidente do IBAMA

Volney Zanardi é o novo presidente do Ibama. A nomeação foi publicada hoje no Diário Oficial da União. O novo presidente, que deixa o cargo de diretor do Departamento de Gestão Estratégica da secretaria executiva do Ministério do Meio Ambiente, substitui Curt Trennepohl, que pediu exoneração para cuidar de problemas na saúde. O ex-presidente estava licenciado há mais um mês da presidência do Instituto.

Zanardi é funcionário de carreira da Agência Nacional das Águas (ANA) e atuou no Ibama como coordenador-geral de Licenciamento Ambiental no ano de 2003. Depois disso, assumiu o de direção do Departamento de Articulação Institucional no Ministério do Meio Ambiente (MMA). No ministério, foi também diretor do Departamento de Articulação Institucional e de Economia e Meio Ambiente.
 
Antes de assumir a presidência do Ibama, Zanardi, que também é afiliado ao PT, ocupava o cargo de diretor do Departamento de Gestão Estratégica da Secretaria Executiva do MMA e de Secretário-Executivo substituto, trabalhando diretamente com a ministra Izabella Teixeira.
 
Formado em engenharia química, Volney Zanardi é mestre em Ecologia e doutor em Ciências Ambientais. Sua nomeação para o cargo saiu nesta quinta-feira (17) no Diário Oficial da União.
 



Fonte: Eco
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Um economista para um mundo novo

Ecologia e economia, dizem, são irmãs que não se gostam muito.

Ambas as palavras vem da mesma raiz grega, “oikos”, que quer dizer casa. Ecologia, porém, termina com o sufixo “logos”, que tem sido traduzido como “estudo de”, enquanto economia se completa com “nomos”, traduzido como “cuidar de”, ou mais geralmente como administração. Assim sendo, ecologia é a ciência que estuda a casa, ou mais precisamente, que estuda as relações dos seres vivos uns com os outros e com o seu ambiente. Economia, todos nós sabemos o que é.

Mas, pensando bem, será que sabemos mesmo? Cuidar dos problemas ambientais, quaisquer que eles sejam, é “cuidar da casa” – dificilmente alguma coisa poderia ser mais cuidar da casa do que isso! Portanto, cuidar dos problemas ambientais é, por definição, economia. 

Esse ponto parece uma baita ironia, já que a gente sabe o quanto brigam as duas irmãs. No entanto, por isso mesmo não é uma mera filigrana semântica. A economia clássica costuma ter uma visão estreita do que é cuidar da casa. Chama as coisas que a natureza nos dá de “recursos” e parece considerar que eles sejam basicamente infinitos, ou porque um mesmo recurso possa suportar exploração eterna, ou porque a tecnologia, dizem, vai sempre achar um substituto. Persegue o ideal impossível de um crescimento ilimitado num planeta finito. Explora e degrada os serviços ambientais que mantém a vida no planeta, chama os prejuízos ambientais que causa de “externalidades”, e deixa uns e outros de fora da sua contabilidade estreita.

Que economista é esse?

Nesse contexto, quando o meu amigo Adrian Monjeau me deu o livro “Economía para un planeta abarrotado”, de um economista chamado Jeffrey Sachs, confesso que minha expectativa não era muito grande. Mas à medida que eu fui lendo o livro, meu queixo caiu, e comecei a perceber quanta razão Adrian tinha ao me recomendar aquela leitura com entusiasmo. Que diabo de economista era aquele?   

Logo no início do segundo capítulo, Sachs argumenta com absoluta lucidez que não é possível discutir economia no mundo atual sem falar de superpopulação – um ponto óbvio mas que muitos economistas costumam varrer para baixo do tapete. Segue-se um capítulo (“o antropoceno”) sobre a expansão do domínio humano no planeta e o estrago que temos feito aos seus processos ecológicos. O quarto capítulo é sobre as mudanças climáticas globais e o que podemos fazer para mitigá-las. O quinto – minha surpresa só aumentava – é sobre usos e abusos de um daqueles recursos básicos que os economistas consideram que vai estar sempre lá: a água.

Imagine, então, meu absoluto pasmo com o sexto capítulo: “Um lar para todas as espécies”. Sachs escreve sobre “o muitíssimo que há em jogo com a biodiversidade”, e fala de perda não só de espécies como de interações ecológicas, com absoluta lucidez e naturalidade. Você esperaria ouvir a seguinte frase de um economista: “estamos devorando os sistemas que sustentam nossa própria vida, e enquanto o fazemos, buscamos desculpas para negar-lhes importância”? Acho que não, pelo menos de um economista como você e eu estamos acostumados a pensar.

A essa altura, eu mal conseguia parar de ler. Minhas surpresas, porém, estavam só começando.

Uma solução boa para todos

Na parte seguinte, Sachs discute como estabilizar a população humana, especialmente nos países mais pobres da África e do Oriente Médio, o que ele considera uma pré-condição para a sustentabilidade. Abordando com o devido cuidado um problema complexo, ele propõe várias medidas distintas e complementares. Uma das suas idéias, porém, se destaca como uma das soluções mais desconcertantes, mais simples, e mais felizes que já li em anos de discussões sobre a questão populacional.

Com base em abundantes dados, Sachs chama a atenção para o fato de que existe uma fortíssima correlação negativa entre a mortalidade infantil e as taxas de fecundidade das mulheres. A mortalidade infantil – os dados que ele usa são de  número de crianças que morrem antes de cinco anos de idade, de cada mil nascidas vivas – é sistematicamente maior nos países, todos eles no terceiro mundo, que têm maiores taxas de fecundidade, ou seja, o maior número de filhos por mulher.

É interessante pensar em porque isso acontece. Nos casos extremos, alguns dos países mais pobres do mundo tem mortalidades infantis estarrecedoras de até uns 300/1000, ou seja, uma criança recém-nascida tem quase um terço de probabilidade de morrer em seus primeiros cinco anos. Num país assim, uma mulher que tenha um ou dois filhos tem muita chance de não ter filho nenhum em pouco tempo. Ela não fez as contas, mas sabe muito bem disso. Ainda por cima, são países que geralmente não têm sistemas de previdência, e os pais dependem dos filhos para cuidar deles na velhice. Numa situação assim, é de se esperar que as pessoas queiram ter muitos filhos. As culturas locais reforçam isso com sistemas de valores que estimulam as pessoas, por uma série de maneiras, a esse comportamento.

Mas se a mortalidade infantil cai… muda tudo. Se a mortalidade infantil diminui drasticamente, as mulheres passam a preferir um número menor de filhos, e se adaptam muito rápido à nova situação. A própria cultura também se adapta rápido, especialmente porque discutir a sexualidade está deixando rapidamente de ser um tabu, até mesmo na África. Com isso, chegamos a um resultado interessantíssimo – os países nos quais a mortalidade infantil cai muito alcançam naturalmente, sem qualquer controle do estado, reduções significativas nas suas taxas de fecundidade. Sachs então argumenta que a melhor maneira de diminuir o crecimento populacional, nos países onde ainda é alto, é diminuir a mortalidade infantil. É um argumento completamente contra-intuitivo, e por isso mesmo brilhante.
 
Mais, essa solução é boa para todo mundo. É boa para as pessoas – evitando o imenso sofrimento causado pela mortalidade infantil. É bom para a economia, porque a estabilização populacional conduz os países à situação de bônus demográfico que explica muito do bom momento econômico atual dos países emergentes, inclusive o Brasil. Finalmente, é bom para os problemas ambientais, porque é claro que a superpopulação é uma das causas mais importantes, embora não a única, desses problemas. É uma das poucas soluções que eu conheço, neste tipo de discussão, em que  todo mundo ganha.

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Acho que muita gente confunde Jeffrey Sachs com o “outro” Sachs, Ignacy, um economista polonês que já viveu e trabalhou no Brasil, e cuja visão de economia, por coincidência (não são parentes que eu saiba), tem também um forte viés ambiental. Mas na verdade, a importância do pensamento de Jeffrey Sachs no mundo moderno está longe de ser novidade. Ele sempre foi um economista brilhante; aos 28 anos, era um dos catedráticos mais jovens da história da Universidade de Harvard. Depois, foi conselheiro especial de dois Secretários Gerais da ONU, Kofi Annan e o atual, Ban Ki-Moon. Foi escolhido duas vezes pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Acho que a maior parte dos economistas diria que o atual eixo principal do trabalho de Sachs é sobre políticas para redução da pobreza no mundo. É verdade, mas como eu descobri ao lê-lo, para ele as questões sociais e ambientais estão indissociavelmente ligadas. No que Sachs escreve, ao contrário de muitos economistas e políticos, os cuidados ambientais não aparecem como algo postiço – como aquele mero discurso superficial acrescentado para aplacar as críticas dos ambientalistas. Não. Ele ousa pensar e dizer que um mundo melhor para a biodiversidade será também um mundo melhor para as pessoas. Como as pessoas mais pobres são geralmente as primeiras a ser afetadas pelos problemas ambientais, ele propõe que cuidar da natureza é imprescindível para que se possa erradicar a pobreza. Com esta visão, Sachs restitui a economia àquilo que sempre deveria ter sido – cuidar da casa, para o benefício de todos os seus moradores.

Uma esperança para a Rio+20

Jeffrey Sachs estará entre nós em breve, na Rio+20. Acho que ele não vai ter uma semana fácil. A presidente Dilma já disse que na Rio+20 “não há espaço para fantasias”, e se referiu explicitamente à energia eólica como uma das tais fantasias. Ao fazer isso, ela deixou claro o que espera da Rio+20: que falem o que quiserem desde que não mudem nada, que não venham propor nada de muito diferente, nada de muito audacioso.

É uma pena. Mas o que ela chama de fantasia, eu chamo de esperança.

Precisamos não ter medo de ousar. Acredito que Dilma seja séria e bem-intencionada, mas ela está presa àquela ótica estreita dos economistas tradicionais, para quem as questões ambientais são um mero entrave. Para ela o bom momento econômico – que  não é causado pelos nossos governantes, que vão nele de passageiros (ver Nunca é por causa da demografia, aqui em O Eco) – justifica o medo de fazer mudanças importantes.

Mas o mundo mudou, o clima está mudando e rápido, a maior crise ambiental da história humana do planeta já está aí, e já afeta a cada dia a qualidade de vida de todos nós, por qualquer maneira ampla de medir qualidade de vida. Nesse novo mundo, os países que dominarem tecnologias “verdes” – inclusive a tal da energia eólica – vão estar investindo no mercado que mais cresce no mundo e vão gerar muitos  milhões de empregos na próxima década, enquanto os que ficarem para trás vão ter que pagar por essas coisas a preço de ouro. Cuidar da casa, então, é agora essencial para a economia por qualquer maneira que você a veja. A Rio+20 é mais uma valiosa oportunidade – já desperdiçamos várias – de colocar a humanidade num caminho melhor. Espero, embora infelizmente sem acreditar muito, que desta vez a esperança possa vencer o medo.

Espero, então, que Jeffrey Sachs nos traga um muito da tal da “fantasia”. Precisamos estar abertos para repensar com profundidade – e se preciso for virar de cabeça para baixo – aquilo que hoje chamamos de economia. Tenho esperança que na Rio+20 ele, assim como outros com coragem para ousar, contribua para trazer a economia de volta às raízes do seu próprio nome. É hora de as irmãs se entenderem melhor. As duas precisam cuidar juntas da casa; afinal, é a nossa casa, a única casa que podemos ter. 



Fonte: Eco
URL: http://www.oeco.com.br/fernando-fernandez/26006-as-irmas-apartadas-ou-um-economista-para-um-mundo-novo http://www.oeco.com.br/component/ninjarsssyndicator/?feed_id=1&format=raw the feed url Eco the feed name http://www.oeco.com.br/fernando-fernandez/26006-as-irmas-apartadas-ou-um-economista-para-um-mundo-novo the source URL of the post admin the author you assign to the feed Sustentabilidade the category you assign to the feed

Transparência já: Lei de Acesso à Informação entrou em vigor



O cidadão é rei. Com raras exceções, ninguém mais pode negar informações de órgãos públicos. Hoje, entrou em vigor a Lei de Acesso à Informação, sancionada em novembro do ano passado. Ela obriga o poder público em todas suas esferas – municipal, estadual e federal – a fornecer informações solicitadas por cidadãos, empresas e entidades da sociedade civil organizada. A norma também prevê responsabilização dos agentes públicos que retardarem ou negarem indevidamente a entrega de informações. E isso inclui os órgãos de meio ambiente.

Agora, será possível pedir qualquer informação sem precisar justificar a motivação do pedido. Basta o cidadão se identificar e, então, exigir a transparência que agora é direito. Todo e qualquer documento público poderá ser solicitado, salvo as restrições de quando se tratar de informação pessoal ou for classificado como informação reservada, secreta e ultrassecreta.

Pela norma, informações disponíveis devem ser dadas imediatamente. Caso dependam de pesquisa, o prazo é de 20 dias, prorrogáveis por mais dez. A nova lei também dá fim ao sigilo eterno de documentos oficiais. Pela nova regra, o prazo máximo de sigilo foi limitado a 25 anos para documentos ultrassecretos, 15 anos para os secretos e cinco para os reservados. Os documentos ultrassecretos poderão ter o prazo de sigilo renovado apenas uma vez.

Como a lei também determina que os órgãos e entidades públicas deverão divulgar um rol mínimo de informações proativamente através da internet, vários sites do governo federal lançaram hoje nos seus portais o link para a página de acesso à informação do órgão. Ele é identificado por um selo em forma de balão amarelo de quadrinhos, com a letra “i” em verde (ver ilustração).

O Ministério do Meio Ambiente destacou dois servidores para atuarem efetiva e exclusivamente no Serviço de Informação do Cidadão (SIC), além de outros 5 que trabalham no Centro de Informação e Documentação Ambiental. A pessoa responsável pelas atividades do SIC é a Sra. Elizabet Silva da Mata. Informações sobre horário de funcionamento, local e contatos podem ser obtidos aqui.

A Agência Nacional das Águas destacou três servidores para cuidar diretamente do Serviço de Informação do Cidadão (SIC). Segundo a assessoria de imprensa do órgão, não haverá a contratação de servidores para executar a função.

O mesmo acontece com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Serviço Florestal Brasileiro. O portal de acesso à informação pública no site do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (http://www.ibge.gov.br/acesso/) também está com uma página especial para atender os pedidos dos cidadãos.

No âmbito do Ibama, o presidente substituto, Fernando Marques, criou um Grupo de Trabalho (Portaria nº 510/12) com o objetivo de discutir, elaborar e articular estratégias, planos e metas para implementação e cumprimento da Lei de Acesso à Informação. Esse grupo é coordenado pelos servidores da auditoria, Jorge Soares (titular) e Arlete Bernardo de Oliveira (suplente), e integrado com representantes de todas as diretorias e assessorias.  O Serviço de Informação ao Cidadão do Ibama contará com atendimento presencial, online e por telefone (XX61 3316-1611).

Brasil tem lei de acesso à informação ambiental desde 2003

Tanto o Ministério do Meio Ambiente quanto às autarquias ligadas ao Ministério do Meio Ambiente já contam com páginas especiais para o cumprimento da Lei 12.527. Mas o que poucos sabem é que o acesso às informações ambientais já está previsto desde abril de 2003, pela lei nº 10.650, que dispõe sobre o acesso público aos dados e informações ambientais existentes nos órgãos entidades integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente.

A lei de 2003 junto com a Lei de Acesso à Informação, que entra em vigor hoje, podem ser usadas como base para a obtenção de dados dos órgãos ambientais. A partir de agora sigilo é exceção e a transparência é a regra.


Leia também
Para quem se interessa pelo assunto, o artigo a seguir de (o)eco só foi possível, porque o autor, Gustavo Faleiros, evocou a lei 10.650, de 2003 para obter a documentação necessária à apuração: ‘Os bagres de Lula’.

Saiba mais
O site “Queremos Saber” faz o pedido por você e publica, a pergunta e a resposta do órgão onde a informação foi solicitado.

Já a Cartilha “Acesso à Informação Pública”, além de ser uma introdução à Lei que trata do assunto (nº 12.527, sancionada pela presidente da República em 18 de novembro de 2011), também destaca aspectos e vantagens de uma cultura de acesso, em detrimento à cultura do segredo.

Sites que valem a pena acessar para entender melhor o assunto:



Fonte: Eco
URL: http://www.oeco.com.br/noticias/26007-transparencia-ja-lei-de-acesso-a-informacao-entrou-em-vigor http://www.oeco.com.br/component/ninjarsssyndicator/?feed_id=1&format=raw the feed url Eco the feed name http://www.oeco.com.br/noticias/26007-transparencia-ja-lei-de-acesso-a-informacao-entrou-em-vigor the source URL of the post admin the author you assign to the feed Sustentabilidade the category you assign to the feed

Censo vai retratar o bioma amazônico

Acontecerá no dia 18 de maio, sexta-feira, o evento “A biodiversidade da Amazônia no contexto da Rio +20”, onde será lançado o Censo da Biodiversidade. A criação deste Censo foi proposta pela Coordenação de Pesquisa e Pós-graduação do Museu Goeldi e tem como principal objetivo organizar melhor e divulgar o conhecimento sobre o patrimônio biológico existente na Amazônia.

O bioma amazônico ainda tem muito para ser conhecido, novas espécies são descobertas frequentemente. O Censo da Biodiversidade pretende produzir uma base de dados confiáveis, que serão atualizados regularmente, em colaboração com os grupos de pesquisa que atuam na região. Inicialmente, a lista inclui 3.813 espécies, de 12 grupos de fauna, que ocorrem no estado do Pará. Mais adiante, espécies de flora também serão disponibilizadas e até o final do ano, outros grupos biológicos também devem ser incluídos no Censo.

As primeiras listas de espécies do Censo da Biodiversidade podem ser acessadas no site do Museu Goeldi. Os interessados podem checar o nome científico, a família à qual a espécie pertence e, se for o caso, o grau de ameaça de extinção.

O evento acontece em Belém, no Pará, mas o debate sobre biodiversidade amazônica será aberto ao público e transmitido online pelo Livestream e Facebook, além disso, internautas poderão mandar suas perguntas pelo Twitter, assim qualquer um pode participar. Na mesa-redonda estarão Dr. Ulisses Galatti, pesquisador e coordenador de Pesquisa e Pós-graduação do Museu Goeldi, Dr. Peter Mann de Toledo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Dr. Alex Fiuzza de Mello, atual Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI/PA).

Serviço
O quê: “A biodiversidade da Amazônia no contexto da Rio +20″ – Lançamento do Censo da Biodiversidade e Espécies do Milênio
Local: Auditório Paulo Cavalcante do campus de pesquisa do MPEG, situado na Av. Perimetral, nº 1901, Terra Firme, Belém-PA.
Data: Dia 18 de maio, às 9h.



Fonte: Eco
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Gigantes em movimento

Liderada pela Ásia, a participação dos mercados emergentes na economia global cresceu consistentemente nas últimas décadas. Para os países asiáticos – em especial seus gigantes em ascensão, China e Índia -, o crescimento sustentável já não é apenas uma questão distante, o desafio global de cuidar do meio ambiente. Tornou-se algo estratégico para a manutenção do crescimento nacional. Isso assinala uma mudança radical na estrutura global dos incentivos para alcançar a sustentabilidade.

Nas próximas décadas, quase todo o crescimento mundial em energia, consumo, urbanização, uso de automóveis, viagens de avião e emissões de carbono virá de economias emergentes. Em meados do século, o número de pessoas vivendo no que serão então economias de alta renda crescerá do 1 bilhão atual para 4,5 bilhões. O produto interno bruto global, atualmente de cerca de 60 trilhões de dólares, pelo menos triplicará nos próximos 30 anos. Se as economias emergentes tentarem alcançar os níveis de renda de países avançados seguindo, aproximadamente, o mesmo padrão de seus antecessores, o impacto nos recursos naturais e no meio ambiente será enorme, arriscado e, possivelmente, desastroso. Um ou vários pontos críticos provavelmente causarão uma parada brusca no processo econômico e social. Segurança e custo da energia, qualidade do ar e da água, clima, ecossistemas terrestres e oceânicos, segurança alimentar e muito mais estariam ameaçados.

Por enquanto, quase todos os indicadores mostram uma tendência declinante em termos de concentração do poder econômico global. Mantendo-se essa tendência, o desafio da sustentabilidade se tornaria cada vez maior. Com mais países pressionando os recursos naturais, haveria um estímulo para que cada um esperasse os outros agirem para tirar de si a necessidade de se mexer. É um problema clássico na teoria dos jogos, batizado de “carona” – já que cada um tentaria “pegar carona” na solução ambiental jogando os custos para os outros. Nesse caso, seriam necessários complexos entendimentos globais que impusessem cobranças de acordo com as taxas de crescimento de cada país. A tendência à concentração se inverterá dentro de uma década em razão do tamanho e das taxas de crescimento de Índia e China, que juntas abrigam quase 40% da população mundial. Embora seu PIB combinado ainda seja uma parcela relativamente pequena da produção global (em torno de 15%), essa participação está crescendo de maneira acelerada. Até meados do século, os dois países terão 2,5 bilhões dos 3,5 bilhões de pessoas que serão adicionadas à parcela de habitantes do planeta com renda alta. Só esse fato fará o PIB global ao menos dobrar nas próximas três décadas, mesmo na ausência de crescimento em qualquer outro país.

EM BUSCA DE UM NOVO RUMO
A boa nova é que a sustentabilidade virou questão-chave para o crescimento de longo prazo de Índia e China. Seus padrões e estratégias de crescimento, e as escolhas que elas fizerem no que diz respeito a estilo de vida, urbanização, transporte, meio ambiente e eficiência energética, determinarão, em grande medida, se as duas economias poderão completar a longa transição para níveis de renda avançados. Chineses e indianos sabem disso. Há uma consciência crescente entre dirigentes políticos, empresários e cidadãos nos dois países (e na Ásia de maneira mais ampla) de que os caminhos de crescimento histórico que seus antecessores seguiram simplesmente não funcionarão – e de que a rota antiga não servirá para uma economia mundial com o triplo do tamanho atual.

Consequentemente, esses países terão de inventar novos padrões de crescimento. Eles já são grandes demais para não pagar pelos recursos universais de que usufruem. Felizmente, os incentivos relacionados à sustentabilidade estão sendo assumidos como prioridade nacional. As percepções estão rapidamente se alinhando com a realidade de que a sustentabilidade deve se tornar um ingrediente crítico do crescimento. O velho modelo não funcionará.

É evidente que hoje ninguém sabe como alcançaremos a sustentabilidade com uma economia global três vezes (ou mais) maior que a atual. Esse objetivo será determinado por um processo de descoberta, experimentação, inovação e criatividade. Veremos um jogo de compensações ao longo do caminho. Mas o incentivo para ignorar essas questões terminou, independentemente do que outros países escolherem fazer e dos acordos globais que possam ser alcançados.

As grandes economias emergentes em acelerado crescimento têm algumas vantagens. Integrar a sustentabilidade às políticas e às estratégias de crescimento é de seu próprio interesse, e é consistente com seus horizontes de longo prazo. Os patrimônios legados que se encontram em países desenvolvidos – a maneira como as cidades estão configuradas, por exemplo – não precisam ser substituídos na mesma extensão. O 12o Plano Quinquenal da China baixa a projeção de crescimento (para 7%) para criar “espaço” para lidar com questões como equidade, sustentabilidade e meio ambiente. O processo de descobrir um novo caminho de crescimento já começou.

A emergência da sustentabilidade como um elemento crítico nas estratégias de crescimento nas futuras maiores economias do mundo é um fato extraordinariamente positivo, porque as necessidades, os objetivos e as prioridades nacionais continuam sendo incentivos muito mais poderosos que acordos internacionais.

Isso tudo pode parecer uma variante do senso comum. Como poderia a multiplicação do PIB global por 3 e a população de alta renda mundial por 4 ser uma boa notícia, com tudo o que a acompanha? Bem, depende do que se acredita ser a alternativa. Um crescimento global lento seria benéfico para os recursos naturais e o meio ambiente, é verdade. Mas é ilusão apostar nisso, a menos que haja um colapso nos suprimentos de recursos naturais e, de forma mais geral, na sustentação ambiental. Assim, o padrão é o alto crescimento de mercados emergentes, cujas chaves são a inovação e o ajuste ao caminho do crescimento.

À medida que os asiáticos caminharem para padrões mais sustentáveis, eles aumentarão os incentivos para que outros façam o mesmo – gerando novas tecnologias e reduzindo o custo ambiental do crescimento. Seria incorreto dizer que o problema do “carona” terminou ou que acordos multinacionais já não são desejáveis. Mas um progresso real, movido pela necessidade e pelo interesse próprio, está se tornando o caminho mais provável no médio prazo. Chineses e indianos lutarão cada vez mais pelo crescimento sustentável, para seu próprio bem. De quebra, ajudarão a salvar o planeta em que todos vivemos.



Fonte: Desenvolvimento
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Denúncias na fábrica

“Às s 13 horas e 25 minutos do dia 10 de maio de 2011, foi ouvida a testemunha (…) Gra¬ziele Botelho Silva, (…) metalúrgica, (…) que trabalhou para a Samsung (…) até sua demissão em 4 de janeiro de 2011. (…) Via pessoas passarem chorando, além de ouvir gritos por parte de superiores, inclusive de origem coreana. Tinha um coreano chamado Kim que ficava o tempo todo atrás das trabalhadoras (…) falando PALÍ PALÍ PALÍ (sic), o que significa rápido, rápido, rápido em coreano. Além dessa ordem, levavam tapas nas costas como forma de atender (aumentar) a produção.”

O depoimento acima, concedido à Procuradoria Geral do Trabalho da 15a Região, em Campinas, no interior de São Paulo, foi obtido com exclusividade por EXAME. Graziele, de 30 anos, está processando a Samsung por assédio moral. Seu relato descreve um ambiente opressivo, em que o cumprimento de metas é colocado acima de qualquer regra de convivência – ou mesmo da lei brasileira. Segundo Graziele, os berros e os tapas eram as armas de seus chefes para atingir os objetivos de produção traçados pela matriz. Poderia ser apenas um dos milhares de acusações que chegam todo ano à Justiça do Trabalho – mas o depoimento de Graziele repete um padrão que vem despertando a atenção das autoridades brasileiras: como ela, uma centena de funcionários de empresas asiáticas, como as coreanas LG, Samsung e Hyundai, a taiwanesa Foxconn e a japonesa Toyota, procurou o Ministério Público do Trabalho (MPT) para relatar maus-tratos e assédio moral em suas linhas de produção instaladas no Brasil. “Nunca houve tantas denúncias contra empresas asiáticas”, diz Catarina von Zuben, procuradora do MPT responsável por fiscalizar cerca de 600 municípios no interior de São Paulo, região onde está localizada a maior parte dessas companhias. “Algumas delas têm ignorado solenemente a legislação trabalhista brasileira.”

Nas últimas semanas, EXAME teve acesso a mais de 300 páginas de depoimentos de funcionários dessas empresas e entrevistou 15 deles. As acusações vão desde empregados que teriam apanhado durante o expediente porque conversavam na linha de montagem até jovens que apresentariam desgastes ósseos típicos da terceira idade devido a jornadas extenuantes. Não é possível saber o que há de verdade e o que há de exagero nas acusações, algo que cabe à Justiça determinar. As empresas se defendem das acusações.

Até agora, o caso mais notório envolveu a unidade da Samsung em Campinas – a mesma onde trabalhava Graziele. Em 2010, após receber uma série de denúncias de agressões físicas e verbais, o MPT ouviu cerca de 40 funcionários da empresa para checar a veracidade das acusações. Em seguida, determinou que o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador, órgão ligado ao Ministério da Saúde, examinasse os denunciantes. O laudo médico revelou que mais da metade deles apresentava algum tipo de distúrbio mental ou problemas ósseos e musculares em razão do excesso de trabalho. No inquérito, consta uma série de depoimentos de pessoas que afirmaram ter sido agredidas e obrigadas a trabalhar 15 horas por dia para cumprir as metas de produção. Segundo o depoimento da funcionária Vanessa Correia da Silva, os chefes da fábrica afirmavam que quem não quisesse trabalhar as 15 horas poderia ser demitido porque “havia muita gente desempregada querendo seus lugares”. “Todo mundo tinha medo do `Mr. Park¿, o responsável pela fábrica”, diz Walter Manoel, operador de produção da Sam¬sung em Campinas. “Ele xingava as pessoas de inúteis quando alguma coisa dava errado.” (Manoel é membro do sindicato e tem estabilidade de emprego, por isso fala abertamente sobre o assunto.) Para encerrar a investigação, em setembro do ano passado a Samsung assinou um acordo com o MPT para pagar uma multa de 500 000 reais, destinados a entidades assistenciais. Além disso, comprometeu-se a cumprir a legislação trabalhista brasileira. Oficialmente, a Samsung reconhece que houve problemas na fábrica e afirma que vem adotando medidas para melhorar seu relacionamento com os empregados. Além de afastar, no fim do ano passado, o funcionário responsável pela fábrica, Byung Eun Park, a empresa criou o programa One Samsung na tentativa de desenhar uma cultura única no Brasil. “Temos um comitê que avalia denúncias de assédio moral”, diz o presidente da Samsung no Brasil, Jeong Wook Kim.

Dos casos descritos a EXAME, os que mais chamam a atenção são aqueles em que a acusação sai do insulto e da pressão para a agressão pura e simples (eles são, é bem verdade, a minoria). A metalúrgica Simone Cristiane Rosa, que trabalhava no departamento de monitores na fábrica da LG em Taubaté, no interior de São Paulo, alega ter sido agredida com um tapa pelo chefe coreano porque conversava durante o trabalho. “O pessoal do departamento de recursos humanos me trancou em uma sala de reuniões e disse que eu só sairia dali quando assinasse um contrato dizendo que não havia sido agredida”, afirma Simone, que diz ter se recusado a assinar o tal contrato. “Tive de me tratar com um psiquiatra. Toda vez que passava em frente à LG, começava a chorar.” Uma funcionária ouvida por EXAME (e que pediu para não ser identificada por ainda trabalhar na LG, em São Paulo) diz que seu chefe coreano lançou uma caneta em sua cara quando descumpriu um prazo. A empresa recorre da decisão judicial que a condenou a pagar uma multa de 450 000 reais ao Fundo de Amparo ao Trabalhador e 50 000 reais a Simone em razão de suas denúncias. A LG afirma ainda que segue o conceito de suas iniciais (“Life is good”, ou “A vida é boa”) e, por isso, valoriza o bem-estar de seus funcionários.

NOVA INVESTIGAÇÃO
O histórico de denúncias fez com que o Ministério Público do Trabalho da região de Campinas decidisse investigar até mesmo uma empresa coreana que acabou de chegar ao Brasil, a montadora Hyundai. Nem bem começou a produzir seu novo compacto no país, a empresa tornou-se alvo de investigação. Segundo EXAME apurou, desde janeiro os promotores receberam denúncias de cerca de dez pessoas reclamando de berros de superiores na fábrica em Piracicaba, no interior de São Paulo, chamando-as de ignorantes e incapazes de realizar tarefas básicas. Além disso, elas se dizem obrigadas a desempenhar mais de uma tarefa na linha, o que é proibido. Procurada, a Hyundai confirma ter sido notificada pelo Ministério Público, diz que está colaborando com a investigação e que aguarda uma definição do caso para se pronunciar.

Se o que acontece no interior de São Paulo hoje é um caso de choque cultural, o debate tende a se acentuar daqui em diante. O investimento direto anual de Japão, China e Coreia do Sul no Brasil aumentou 5 400% de 2006 para cá. Somou 11 bilhões de dólares no ano passado e já representa 16% do total de dinheiro estrangeiro injetado no país (veja quadro). Nesse período, 110 companhias orientais se instalaram por aqui, como é o caso de Hyundai e Foxconn. Até o início do ano que vem, outras 60 devem inaugurar um escritório ou uma fábrica no país – só a Foxconn, famosa por produzir iPhones e iPads para a Apple, pretende abrir outras cinco linhas de produção no Brasil. Além de crescerem em número, as subsidiárias brasileiras dessas companhias vêm ganhando importância no faturamento global. No ano passado, o Brasil se tornou o segundo maior mercado da LG no mundo (atrás dos Estados Unidos e à frente da própria Coreia). No caso da Samsung, o Brasil ocupa a quinta posição entre os 68 países em que a empresa está presente.

A rotina de trabalho em empresas asiáticas se tornou uma fonte de polêmica mundial – um debate motivado, sobretudo, pela crescente importância da China como base de produção para empresas ocidentais. A cada relato de maus-tratos ou suicídios nas fábricas, o tema volta à tona. Em janeiro deste ano, cerca de 300 funcionários da Foxconn na província de Wuhan, no interior da China, ameaçaram se suicidar em protesto contra o excesso de sujeira nos alojamentos, a falta de treinamento para operar as máquinas e o parcelamento de salários que, em tese, deveriam ser pagos à vista. O escândalo tomou proporções mundiais e fez com que a Apple, maior cliente da Foxconn, interviesse. A empresa contratou a entidade americana Fair Labour Association (Associação do Trabalho Justo, numa tradução livre) para inspecionar a saúde, a segurança, os salários, a jornada de trabalho e a moradia dos trabalhadores da Foxconn na China. Para aliviar a pressão criada pela Apple, a Foxconn anunciou em fevereiro um reajuste salarial de 16% a 25% para seus funcionários. Em escala muito menor, a empresa também vem enfrentando problemas em suas linhas de produção no Brasil.

Um executivo da companhia no país que pediu para não ter seu nome revelado disse que não é raro receber ligações durante a madrugada, nas quais o chefe do outro lado do mundo cobra, aos gritos, a solução de algum problema que tenha atrapalhado o ritmo de produção. Em fevereiro deste ano, um grupo de funcionários brasileiros da Foxconn se reuniu em frente à fábrica de Indaiatuba, no interior de São Paulo, vestindo fantasias de animais para protestar contra os supostos maus-tratos. O movimento foi desencadeado por uma declaração do presidente mundial da empresa, o taiwanês Terry Gou, para quem “gerenciar 1 milhão de animais dava dores de cabeça”. Procurada, a Foxconn, que tem 1 milhão de funcionários no mundo, preferiu não se manifestar. Gou, que anunciou a intenção de abrir mais fábricas no Brasil, disse em fevereiro que os brasileiros “não gostam de trabalhar”.

HIERARQUIA
Embora seja simplista – e errado – pressupor a existência de uma “cultura asiática” homogênea, os especialistas apontam traços comuns que ajudam a explicar a origem dos choques culturais que envolvem essas empresas. “De maneira geral, os asiáticos têm uma cultura extremamente voltada para o trabalho”, diz Yi Shin Tang, professor de relações internacionais da Universidade de São Paulo. “E eles esperam encontrar esse mesmo grau de comprometimento em outros países. Os choques são inevitáveis.” Uma pesquisa realizada pela Universidade de Nottingham, na Inglaterra, entre 2009 e 2010 com 570 trabalhadores coreanos e britânicos dá uma ideia dessa diferença de cultura. Para os coreanos, o bullying praticado no ambiente de trabalho era considerado aceitável, desde que aumentasse a eficiência da equipe. Entre os britânicos, a prática foi tida como inadmissível, não importando se a pressão melhora ou piora os resultados. “Os coreanos chegaram a afirmar que as vítimas de assédio eram as reais culpadas, porque não tinham o desempenho desejado por seus chefes”, diz Yoojeong Nadine Seo, pesquisador coreano responsável pelo estudo. No livro Fora de Série, o jornalista nova-iorquino Malcolm Gladwell usa um desastre para exemplificar o valor que os coreanos dão à hierarquia. No capítulo Teoria Étnica dos Acidentes de Avião, ele teoriza que a colisão de um avião da Korean Airlines em 1997 com uma montanha poderia ter sido evitada se a equipe tivesse avisado o comandante dos erros que estava cometendo. Não o fizeram, afirma Gladwell, por um respeito irracional à hierarquia. O acidente deixou 228 mortos.

ASSÉDIO TAMBÉM É COISA NOSSA
Apesar de causarem espanto, insultos, agressões físicas e uma rotina extenuante de trabalho são mais comuns nos dias de hoje do que se imagina. A constante pressão por resultados tem feito com que executivos extrapolem os limites das boas práticas de gestão. Só no interior de São Paulo, na mesma região onde estão instaladas as companhias asiáticas que são alvo de investigação, foram denunciados 242 casos de assédio moral no ano passado em empresas não asiáticas, um recorde histórico. Claro, há acusações no país inteiro. A fabricante de bebidas Ambev, por exemplo, foi condenada em fevereiro do ano passado a pagar uma indenização de 25 000 reais a um ex-vendedor potiguar. Segundo o processo, ele foi obrigado por seu superior a se deitar em um caixão para ter a sensação de ser um “profissional morto”, já que não havia batido as metas. Procurada, a Ambev diz que os problemas são pontuais e não refletem o dia a dia da empresa. O exemplo da Ambev, com sua notória obsessão por crescimento e lucros, dá bem a medida de como o choque de culturas é algo até esperado quando grandes empresas abrem unidades ou fazem aquisições em outros países.

Logo após a Inbev (empresa resultante da fusão da Ambev com a belga Interbrew) assumir o controle da cervejaria americana Anheuser-Busch em novembro de 2008, os executivos brasileiros iniciaram um drástico corte de custos na operação americana. Além disso, criaram uma lista com o nome dos executivos que mais gastavam e o dos que não batiam as metas, numa espécie de ranking às avessas. Nos Estados Unidos, pegou muito mal – mas até que ponto se pode dizer o que é certo e o que é errado nesse caso? A Anheuser-Busch estava parada no tempo, carcomida após anos de escalada em seus custos. O mesmo havia acontecido na Bélgica após a fusão com a Interbrew. O certo é que os brasileiros que mandam na Inbev têm um jeito de ver as coisas, e seus subordinados americanos, outra. Na França, três funcionários da Renault se suicidaram entre 2006 e 2007 – deixaram cartas em que se diziam incapazes de executar o plano de crescimento desenhado pelo executivo Carlos Ghosn, presidente da Renault-Nissan. De novo, é impossível medir a relação entre uma coisa e outra. O benefício da dúvida, que vale para Renault e Ambev, não deveria valer também para empresas asiáticas? Só a Justiça poderá responder.

Até agora, no entanto, há sinais concretos de que as empresas asiáticas começam a se preocupar com o embate cultural que vem se desenhando no Brasil. No início de abril, a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Coreia enviou a acadêmicos e executivos um questionário para avaliar a atuação dessas empresas no Brasil. No questionário, constavam perguntas sobre as relações de trabalho nas companhias. Um exemplo: “O Brasil possui uma legislação trabalhista rígida e com normas diferentes da coreana. Estas influenciam jornada de trabalho, formas de tratamento, remuneração, entre outros. (…) As metas impostas pela matriz coreana a esta filial levam em consideração estas restrições?” A ideia é que as respostas sirvam de guia para as empresas coreanas no Brasil. Os representantes das companhias parecem ter concordado que aqui é de um jeito, na Coreia é de outro. É meio caminho andado para que haja um choque cultural. É também meio caminho andado para que as coisas melhorem daqui em diante.

O QUE DIZEM OS FUNCIONÁRIOS
Após trabalhar 8 horas na montagem de monitores na fábrica da LG em Taubaté, no interior de São Paulo, Simone Cristiane Rosa (à esq.) diz ter sido agredida por seu superior coreano enquanto conversava com uma colega em 2007. Para impedir que ela denunciasse a empresa, o departamento de RH da LG teria trancado a operária em uma sala até que ela concordasse em assinar um termo negando o ocorrido. A LG foi condenada a pagar multas que somam 500 000 reais, dos quais 50 000 para Simone. A empresa recorreu. Horseia dos Santos, Maria Aparecida Ferraz e João Paulo Ferreira Lisboa (à dir.), funcionários da Foxconn em Indaiatuba, também alegam ter sido vítimas de assédio moral. Além de uma jornada diária que chega a 15 horas, algumas pessoas teriam desenvolvido doenças comuns à terceira idade. A Foxconn não comenta o caso, que está na Justiça.

O MAPA DAS DENÚNCIAS
A maior parte das empresas asiáticas que viraram alvo de investigação do Ministério Público do Trabalho está instalada no interior de São Paulo

FOXCONN
Origem:
Taiwan
Funcionários no Brasil: 6 950
Fábricas em: Jundiaí, Indaiatuba, Santa Rita do Sapucaí, Sorocaba e Manaus
A denúncia: além de uma rotina extenuante, as funcionárias grávidas seriam constrangidas quando pediam para ir ao banheiro durante o expediente
O que diz a empresa: a Foxconn não se manifestou

TOYOTA
Origem:
Japão
Funcionários no Brasil: 4 435
Fábricas em: Indaiatuba, São Bernardo do Campo, Sorocaba e São Paulo
A denúncia: funcionários alegam ter contraído doenças musculares devido ao trabalho repetitivo. Os que eram afastados por questão de saúde seriam obrigados, como punição, a assumir tarefas como limpeza do chão e troca do lixo na volta ao trabalho
O que diz a empresa: a Toyota não comenta o ocorrido, mas confirma ter recebido um pedido do Ministério Público para apresentar documentos referentes ao caso

LG
Origem:
Coreia do Sul
Funcionários no Brasil: 5 650
Fábricas em: Manaus e Taubaté
A denúncia: uma funcionária diz ter levado tapas nas costas de um chefe coreano porque conversava com uma colega de trabalho na fábrica de Taubaté
O que diz a empresa: a LG diz que o caso é um problema pontual de gestão, “não associado à cultura coreana”

HYUNDAI
Origem:
Coreia do Sul
Funcionários no Brasil: 500
Fábrica em: Piracicaba
A denúncia: os executivos coreanos teriam xingado os funcionários brasileiros de inúteis várias vezes durante o trabalho. Ainda segundo o MP, os brasileiros seriam obrigados a realizar mais de uma tarefa na fábrica, o que é ilegal
O que diz a empresa: a Hyundai confirma ter sido notificada pelo MP e diz, por meio de nota, que está colaborando com a investigação e aguarda a definição do caso para se pronunciar

SAMSUNG
Origem:
Coreia do Sul
Funcionários no Brasil: 8 970
Fábricas em: Manaus e Campinas
A denúncia: chefes coreanos são acusados de punir funcionários com tapas quando as metas de produção não são cumpridas
O que diz a empresa: a Samsung reconhece que teve problemas de gestão na fábrica e diz que está cumprindo o acordo firmado com o Ministério Público.



Fonte: Desenvolvimento
URL: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/denuncias-trabalhistas-empresas-asiaticas-685041.shtml http://planetasustentavel.abril.com.br/noticias/rss_desenvolvimento.xml the feed url Desenvolvimento the feed name http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/denuncias-trabalhistas-empresas-asiaticas-685041.shtml the source URL of the post admin the author you assign to the feed desenvolvimento sustentável the category you assign to the feed

Avalanche de votos aprova MP que altera UCs na Amazônia

A MP 558 foi a primeira do ano a ser editada pelo Governo Dilma ─ publicada no Diário Oficial no dia 06 de janeiro. Ontem, ela foi confirmada na Câmara dos Deputados que a aprovaram por 229 votos a 47, com 3 abstenções. A Medida Provisória 558 altera os limites de 8 unidades federais de conservação, todas dentro da Amazônia Legal.

O objetivo das mudanças nos limites das áreas é atender aos interesses do Ministério de Minas e Energia para a construção do Complexo Hidrelétrico Tapajós e do Ministério dos Transportes, para a retomada das obras da polêmica BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA).

O texto na Câmara foi modificado pelo relator, deputado Zé Geraldo (PT-BA), que acrescentou alterações à Floresta Nacional do Tapajós, que teve duas áreas excluídas em um total de 17.851 hectares. Agora, a MP será encaminhada para votação no Senado.

Os partidos que votaram contra a Medida Provisória 558 foram o PSDB (dos 28 deputados presentes, só 3 votaram a favor), o PSOL e o bloco PV e PPS. A lista completa de como votaram os deputados pode ser vista no site da Câmara.

A maior parte das Unidades afetadas está localizada no Pará. A lista completa é:


Veja abaixo as principais mudanças nas áreas das UC’s:
(Clique nos mapas para fazer o download de uma versão ampliada em PDF)

Parque Nacional da Amazônia
O Parque Nacional da Amazônia perde 46.276 hectares de área que será dividida entre o estabelecimento de Projetos de Assentamento Sustentáveis, a serem criados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA e área que será alagada para a construção da usina São Luiz do Tapajós.

Parque Nacional dos Campos Amazônicos
O Parque Nacional dos Campos Amazônicos, por exemplo, será ampliado em aproximadamente 184 mil hectares, mas ao mesmo tempo perderá 34.149 hectares. O resultado será um aumento líquido de mais de 150 mil hectares. Criado por decreto em 2006, o parque está localizado entre os rios Madeira e Tapajós, abrangendo terras em três estados: Amazonas, Rondônia e Mato Grosso. Com a alteração proposta, a unidade passará a ter 961.320 hectares.
Parte dos 34.149 hectares que perdeu vai para regularização fundiária e área que será inundada para a construção da Usina de Tabajara.

Parque Nacional Mapinguari
A área excluída é de 8.470 hectares. O motivo é a ampliação da área de inundação das usinas de Jirau e Santo Antônio.

Floresta Nacional de Itaituba I
A área excluída é de 7.705 hectares que serão inundados para a construção das usinas de São Luiz Tapajós e de Jatobá

Floresta Nacional de Itaituba II
A área excluída é de 28.453 hectares que serão inundados para a construção da usina de São Luiz Tapajós

Floresta Nacional de Crepori
A área excluída é de 856 hectares que serão inundados para a construção da usina de Jatobá.



Área de Proteção Ambiental Tapajós

A área excluída é de 19.916 hectares que serão inundados para a construção da usina de Jatobá.

Floresta Nacional do Tapajós
A área excluída, de 17.851 hectares, será usada para a regularização de imóveis nas comunidades de Aveiro e São Jorge. A Floresta Nacional do Tapajós não estava incluída, originalmente, na MP 558.



Fonte: Eco
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